sexta-feira, abril 20, 2007

AGAL ou ILG-RAG?







Galiza é umha Pátria de vencidos, pelo que nom é estranho ouvir-lhe pronunciar à suapopulaçom as humilhantes verbas que o seu captor lhe obriga. Deveria-se dizer aorespeito que a língua é o principal rasgo de identidade dumha Naçom e nela fica a atitudemais ofensiva do reo face o seu amo e dono, nela fica a pessoalidade que nom é quem delha arrebatar, senom com o látego e o tempo.

É sabido que a Galiza desde o século XIV converte-se à força numha coroa supeditada ao reino de Castela, feito que lhe negou à nossa Pátria a sua soberania e com ela, a possibilidade de estandardizar e normalizar o seu idioma, o galego-português. Nos sucessivos séculos o nosso idioma acha-se constantemente ameaçado pelas imposiçons políticas da metrópole, ficando umha fala clandestina que sobrevive em decadência em boca dos marinheiros e camponeses que durante muitos séculos foram funcionalmente ainda monolíngues em galego pesse a que o castelhano ia suplantando cada vez mais léxico. Por estas raçons nom é circunstância insólita imaginar-nos o galego se nom houver colonizaçom. A resposta claramente pode sugestionar que como muito pouco o galego havia conservar a sua grafia medieval ainda que o léxico for evolucionado, mas o feito de ter que aceitar a rendiçom política face um povo de falas e costumes diferentes, implicou, necessariamente, a assimilaçom dos seus rasgos de identidade que no processo precedente ao êxito pleno, entrara em conflito com os matizes genuínos do nosso Povo. Assim é que o labor principal da ILG-RAG é ante tudo minguar ao máximo as deferências linguísticas que os galegos possuem em referência ao castelhano, acudindo pelo geral aos cultismos como eficaz recurso e à adopçom da grafia hispana, algo singelo mesmo pra aplicaçom a outras línguas. Por outra parte, a RAG procura concordar o mínimo possível com o padrom português fazendo escolha da quelas formas que ainda que galegas difiram mais coa fala portuguesa.

Assim como se fá um galego à castellana imaginar-se um galego à portuguesa nom seria senom, um labor de recuperaçom e de concórdia coa forma padrom da sua variante sul. Do mesmo jeito, no prefácio do ensaio “Estudo Crítico” publicado por AGAL, diz - pra nós, o galego é singelamente a língua da Galiza; portanto, nom prejulgamos que o seu modelo normativo deva partir do español ou de qualquer outra língua românica. Como o inglês é de direito britânico, texano, nova-iorquino ou australiano, consideramos que o galego, sendo à vez do Estado Espanhol, também é português, brasileiro ou angolano – De tão jeito, admitindo que o português é variante do galego e, ao tempo, que a fala de Guiné-Bissau, Brasil, Angola, Moçambique... som variantes do português, acha-se necessária umha estandarizaçom, isto é, umha forma padrom, pelo que se entende que o galego, salvando ao máximo os seus matizes genuínos, debe concordar no possível com as formas estândar dos diferentes territórios de fala galego-portuguesa. Dado que o nosso idioma perde cada vez maior número de falantes, muitos galegos e galegas aceitam as normas impostas pela RAG, como um sacrifício pela estandarizaçom linguística, quiçá a saída mais rápida face à actual crise idiomática, argumentando que um dos factores mais decisivos na baixa de galego-falantes radica na criaçom dum galego oficial que constantemente muta.

Nom obstante, os trocos efectuados pela RAG, e por tanto no galego oficial, foram sempre pequenos. A alternativa nacionalista enfrontada foi sempre ignorada, pelo que o seu grão de culpabilidade agás no ano 2003, foi sempre praticamente nulo. A convivência, por outro lado, de duas normas ortográfica e morfológicas dum mesmo idioma na realidade, acentua, sem dúvida, certo desordem e anarquia entre a populaçom em favor do medre do castelhano, mas absorver um galego à espanhola até um futuro mais alentador, nom é senom, minusculizar qualquer possibilidade de recuperar a identidade galega. Hoje a Associaçom Galega da Língua, AGAL, leva xa às suas costas umha longa tradiçom de consolidaçom dum galego padrom fiel á etimologia histórica. Som xa muitos os ensaios impulsados e editados por esta entidade sem apoio algum externo. Mas nom sozinho a AGAL publica em galego-português, muitos outros entes publicam nesta norma padrom em pesquisa de maior apoio face a estandarizaçom e normalizaçom lutando por redimir umha identidade roubada. Pra nós, galegos e galegas, o galego é o nosso único idioma próprio, com ampla prioridade por riba de qualquer outro. Temos umha grafia histórica própria, conhecemo-la e devemos exercer o nosso direito a empregá-la, rejeitando umha grafia imposta que nada tem que ver com os nossos rasgos culturais.

CAE -Vigo

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