quinta-feira, janeiro 10, 2008

Médicos espanhóis ameaçam sair de Portugal

Os profissionais espanhóis a exercer em Portugal, entre os quais milhares de médicos e enfermeiros, ameaçam com uma greve inédita e "grandes manifestações públicas" caso persista a "caça à multa" por parte das autoridades nacionais. Depois de terem avançado para os tribunais na sequência das multas por circularem com matrícula espanhola, estes profissionais apelam agora à intervenção do primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero.


"Estamos dispostos a tudo. Sejam paralisações ou manifestações públicas, com corte de trânsito ou das fronteiras. A situação assim é que não pode ficar", afirmou ontem ao DN Xóan Goméz, presidente da Associação de Profissionais de Saúde Espanhóis em Portugal. Numa carta aberta enviada esta semana ao chefe do Governo espanhol, o médico, um dos rostos da contestação, apela a Zapatero para que defenda os direitos daqueles trabalhadores em Portugal e que acabe com os "abusos" a que dizem ser submetidos, nomeadamente as multas de trânsito por continuarem com matrícula espanhola.

"Somos todos europeus ou não? Então porque nos tratam como criminosos quando apenas estamos em Portugal para trabalhar?", insurge- -se o porta-voz. Lembrando que Zapatero "é o presidente [primeiro-ministro] de todos os espanhóis que trabalham em Portugal e, como tal, tem obrigação de defender os seus direitos perante os abusos a que têm sido submetidos devido à aplicação de leis obsoletas e antieuropeístas".

Na missiva descreve que os espanhóis são multados e os documentos e as viaturas apreendidas por circularem com matrícula espanhola e alerta para as consequências de mudar a matrícula para portuguesa, o que implicaria "a mudança de residência e, portanto, toda a nossa documentação". "Mas se a nossa casa e os vínculos familiares estão em Espanha, o que fazemos? Mudamos de nacionalidade para ser estrangeiros em Espanha?", questiona."

Ainda esta semana um médico que vinha de Vigo [Galiza] foi mandado parar e ficou sem os documentos quando ia trabalhar para o Hospital de Viana do Castelo. Foi tratado como se fosse um delinquente", critica Xóan Goméz, garantido que aqueles profissionais "estão desesperados" e chegam a ter "medo" de se fazerem à estrada. "Temos esperança que tudo se resolva a bem e para bem de todos. Gostamos de trabalhar em Portugal, mas começa a ser insuportável e muitos colegas já estão na disposição de voltar para Espanha, outros até já voltaram", explicou Goméz, que se diz uma das vítimas desta situação. Trabalha no Hospital de Ponte de Lima mas reside em Tui, na Galiza. "Já pagamos o imposto quando compramos o carro. Não é justo pagar o mesmo duas vezes", explica Xoán Goméz.

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