sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Amor por todos os idiomas

José Paz Rodríguez / La Región.

A Índia, de nome autêntico Bharot, é um verdadeiro modelo para muitos temas hoje no mundo. Mas, especialmente, pola política lingüística que desenvolve. A Sahitya Akademi de Delhi, que vem a ser a sua Real Academia, apoia todas as línguas que se falam neste grande subcontinente indiano. O respeito polas múltiples línguas faladas aqui nos diferentes estados é proverbial. Todos amam os idiomas e todos os que estudam dominam no mínimo três. Confessamos ter uma sá inveja polo que aqui se faz em termos de política lingüística. Na Índia nom compreendem os problemas lingüísticos do Estado espanhol. Nom compreendem como nós temos tantos problemas com tam só quatro línguas e eles com mais de vinte, sem contar os múltiples dialectos, nom têm nenhum. No parlamento de Delhi som todos oficiais e cada parlementário exprime-se no seu próprio existindo os correspondentes tradutores simultâneos. A Academia promove a traducçom de obras literárias em todos os idiomas da Uniom e mesmo a de obras estrangeiras para os mesmos. A atitude dos indianos é sempre positiva para com todas as línguas. Contrasta isto com o que sucede no nosso país, onde o lógico seria que nas escolas primárias e secundárias se estudassem o galego-português, o catalám, o euskera e o castelhano e de Madrid se visse isto como normal. Certamente Rajoi nom conhece a Índia nem o seu modelo lingüístico, e assim diz aquela asneira de ’mais inglês e menos galego’, que é como dizer galego nom. Claro que na Galiza também em termos lingüísticos se continuam a produzir muitas asneiras como as do lider da direita crua e nua.

A nossa experiência fundamental, por estar aqui mais tempo, e ver com que amor todos os bengalis defendem e usam o seu lindo idioma. Do bem que se fazem as cousas na Índia sobre este tema é um bom indicador o facto de que em todos os bilhetes de banco aparece Gandhi e a listagem dos idiomas oficiais. Entre os que destacam o hindi (o h sempre aspirado), bangla, assames, orilha, kannada, telegu, marathi, panlhabi, gulharati, malaalom, urdu (que é um hindi escrito em árabe), konkoni e monipuri. O inglês também é oficial, porque vem da época colonial.

A nossa experiência fundamental, por estar aqui mais tempo, e ver com que amor todos os bengalis defendem e usam o seu lindo idioma. Os rapazes, desde pequeninos, aprendem logo a ler e escrever o bangla. Aprendem cantigas populares e de Tagore. É muito agradável ver como o escrevem quando lhes facilitas um caderno. O melhor presente para eles é um livro de contos ou poemas em bangla. A nós admiram-nos quando nos escoitam dizer palavras no seu idioma ou quando nos escoitam cantar alguma cantiga de Tagore. Os mais de 83 milhons de bengalis que hai no estado de Bengala Ocidental usam a diário o seu idioma, lem os mais de vinte jornais que se publicam e alegram-se quando alguém, como nós, lhes comenta que o seu idioma é o mais lindo da Ásia. Como certamente o é. Um formoso idioma, doce e musical, no qual, por palavras do escritor Gómez de la Serna, cantam os pâssaros de cores. Quanto gostaríamos de que na Galiza acontecesse o mesmo!!

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