segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Património Oral e Cultural Galaico-Português

Candidatura de 2005 vai ser reformulada

O Norte de Portugal e a Galiza vão avançar com a apresentação de uma nova candidatura do Património Oral e Cultural Galaico-Português com vista à obtenção da classificação «Património Mundial da Humanidade».

O projecto está já em elaboração e parte da reformulação da candidatura chumbada pela UNESCO há cerca de dois anos. Desta feita trata-se de reformular a primeira candidatura que a UNESCO não aceitou por a considerar demasiado “abrangente” em termos territoriais e temáticos, pois incluía todo o património imaterial e oral desta região Ibérica, lendas, tradições, folclore, gastronomia, costumes, o saber-fazer a medicina popular, entre muitas outras coisas. A candidatura em marcha vai ser elaborada com mais precisão e com melhor organização temática para responder aos desafios que a UNESCO colocou. “Na primeira valorizaram-se os vários temas e a participação das escolas, o que levou a UNESCO a pedir-nos um empenho na reorganização temática pela dinâmica que criou dentro da sociedade do Nordeste Peninsular, para que a candidatura tenha sucesso”, explicou Álvaro Campelo, responsável científico pelo processo, na abertura do Entrudo Chocalheiro em Podence, Macedo de Cavaleiros, no dia 3. Será uma grande candidatura, subdividida em vários temas ou englobando várias pequenas candidaturas, que terão autonomia. “O que permitirá caracterizar, justificar e aprofundar cientificamente e criar um plano de acção específica para cada um”, enumerou aquele responsável. Cada tema deverá ter uma contextualização geográfica e uma caracterização científica. “O que falhou da outra vez não foi a qualidade do projecto, mas sim a sua organização”, justificou. O projecto não está ainda completamente definido, estão ainda em fase de audição de todos os intervenientes no processo para depois definir os temas e os âmbitos. “Para aprofundar, justificar cientificamente e criar um plano de acção específica para cada um dos temas, o que responderá aos problemas colocados pela UNESCO”, adiantou Álvaro Campelo.

FUNDAÇÃO EM MARCHA

A candidatura está a ser liderada pela Comissão «Ponto nas Ondas», mas ainda não se decidiu os moldes em que avança, uma vez que a anterior abrangia quase todo o património imaterial. “O que tornou um pouco confusa a avaliação, para nós parecia simples e que não se podia separar uma parte da outra, era uma perspectiva antropológica de conjunto, mas dentro dos moldes da UNESCO em que é preciso contextualização geográfica, praticantes, rituais e muita concretização aquele tipo de formulação não era o melhor”, explicou o investigador. Desta vez estão a tentar satisfazer os critérios de rigor e a delimitação de praticantes. Está ainda a ponderar-se a constituição de uma fundação que será a grande responsável no futuro por gerir, promover e incentivar a investigação deste património. Aquele organismo deverá ter ainda a missão de criar uma lista indicativa de outro património das duas regiões e organizar grandes manifestações públicas deste património. “Tornar o património sempre vivo, sabendo que nunca será um património acabado”, acrescentou. A proposta já está em elaboração e deverá ser apresentada até Setembro. O ritual dos Caretos de Podence e as tradições ligadas à máscara e ao Carnaval do Nordeste Transmontano e da Galiza deverão entrar, assim como o mundo lendário, as tradições da orla marítima e do Minho. “Grandes temas que representem toda a cultura imaterial Galaico Portuguesa”. Uma segunda recusa da candidatura seria “trágica”, admite Álvaro Campelo. A candidatura não avançará se não houver certeza de que receberá luz verde. “Senão tivermos uma grande convicção e um grande acolhimento de todos os intervenientes não avançaremos, assim como a certeza de que o património será classificado”. Para já estão a projectar o esqueleto da candidatura e a negociar com o poder, em breve deverão reunir-se com o ministro da Cultura, para começar a construir a parte teórica, uma vez que já dispõe de muita informação recolhida da primeira candidatura. Nem sempre o selo da UNESCO é garantia de desenvolvimento após a sua obtenção, como aconteceu com o Douro Vinhateiro. Álvaro Campelo acredita que a certificação poderá ser importante para transmitir às populações “orgulho” pelo seu património, mas tem de haver um compromisso do Estado e das entidades públicas para participar nos planos de acção e de desenvolvimento para fazer a promoção e a valorização desse património.

Sem comentários: