terça-feira, junho 01, 2010

Chávez oferece "aliança estratégica" a Sócrates e agradece inspiração do 25 de Abril

A sala era pequena e os jornalistas, portugueses e venezuelanos, ficaram todos na sala de imprensa do palácio presidencial. Imagem e som vinham de televisões. Só José Sócrates e Hugo Chávez falaram. Perguntas de jornalistas não houve. E, para o que é habitual, Chávez até nem falou muito: uma hora e cinco minutos.

O Presidente da Venezuela falou duas vezes, agradeceu a inspiração da revolução dos cravos e até declamou o poema de Adolfo Casaes Monteiro “Surpresa”. Ambos falaram da amizade. Um, Chávez, com um discurso mais apaixonado. Sócrates, num estilo mais sóbrio, também prometeu: “Tem aqui um Governo amigo do Governo da Venezuela”.

Chávez fala numa “aliança estratégica” entre os dois países, mas que vai além dos acordos comerciais de cerca de 1700 milhões de euros assinados este sábado, último dia da visita de Sócrates à Venezuela, após uma passagem pelo Brasil. “É uma amizade eterna”, arriscou dizer.

O Presidente venezuelano não falou apenas dos acordos e da comunidade portuguesa – “los portuguesitos”. Lembrou como a revolução de 1974 em Portugal foi uma inspiração para ele, hoje próximo dos 60 anos. E de como está a ser construído um novo socialismo não só na Venezuela, mas noutros países da América Latina. Um socialismo “de inspiração cristã”, numa altura de “crise global” depois da “noite longa neoliberal”.

José Sócrates teve de atrasar quatro horas o encontro com o comandante Chávez, para deixar concluir as negociações dos acordos assinados horas mais tarde no palácio presidencial.

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