quarta-feira, junho 02, 2010

Julio Fariñas: o periodista-policial de La Voz que “adverte” os independentistas

No dia de ontem La Voz de Galicia publicava no seu site a nova sentença do Tribunal Supremo aos independentistas Santiago Vigo e José Manuel Sanches, informaçom filtrada à que nem o advogado, procuradora e afectados directos tiveram acesso. A notícia ia acompanhada de um artigo de Julio Álvarez Fariñas, no que mandava “un aviso para navegantes” ao independentismo galego, que ele chama burlescamente “jarraiciños”. Mas quem é esse tal Julio Fariñas? Umha exaustiva reportagem do Novas da Galiza da autoria de Artur Ponte dá conta do seu historial. Esta é umha boa ocasiom para volver a publicá-lo.

Julio Fariñas ou o aval mediático das estratégias repressivas do Estado na Galiza

A informaçom mais relevante em torno à repressom que cobre as páginas do diário de maior difussom no País parte do seu perito na questom, o jornalista Julio Álvarez Fariñas. O Chefe de secçom de La Voz de Galicia começou como delegado em Vila Garcia nos inícios da década de 80, enroupado polos polícias dedicados ao narcotráfico.Das amizades policiais aos contactos judiciais foi ascendendo até chegar a ser um assíduo da Audiência Nacional, onde se move como bem poucos jornalistas o podem fazer. A sua especialidade é o narcotráfico e todo o que provir dos grandes tribunais, entre o que destaca a perseguiçom do independentismo, que tem apoiado desde a actividade do EGPGC, passando pola Operaçom Castinheira ou pola campanha de criminalizaçom posterior que doseada e calculadamente foi promovendo o citado jornal. Conta com fontes provenientes das mais altas instáncias do Estado, que premiam a sua obediência proporcionando-lhe informaçons em exclusivo, sabedoras de contarem com um comunicador leal.

ARTUR PONTE / Julio Álvarez Fariñas destaca-se por defender incondicionalmente a modalidade de repressom sobre o narcotráfico em vigor desde há mais de vinte anos, a mesma que se revelou irregular e ineficaz de maneira continuada. Como é sabido, a prática totalidade das grandes confiscaçons de droga produzem-se a partir de 'delaçons' procedentes de bandas rivais que procuram desta maneira protecçom. Sem necessidade de investigaçons e com o aval de juízes questionados polos seus próprios companheiros, conseguem as suas medalhas com umha série de barcos apanhados cada certo tempo que, como o próprio Julio Fariñas reconhece, só atingem 25% da droga introduzida conforme as estimaçons mais optimistas.

Estas práticas, que exigem a colaboraçom de um bom número de narcos, acompanhadas polas dotaçons de fundos reservados para 'gastos de informaçom' e a utilizaçom de mecanismos ilegais nas operaçons repressivas dam forma a um coquetel que alimenta a espiral de corrupçom que costuma acompanhar a luita contra o tráfico de drogas, como reconhecem integrantes dos corpos repressivos e jornalistas especializados.

Isso sim, com a colaboraçom de jornalistas disciplinados o Estado consegue transmitir que existe umha luita permanente contra a máfia das drogas, com o objectivo de mostrar-se implacável perante a sua problemática e "anestesiar a cidadania" nas palavras de especialistas no ámbito. No entanto, o consumo de substáncias como a cocaína continua a disparar-se, o que necessariamente exige maiores quantidades de droga num mercado bem abastecido, o que demonstra que as amplificadas operaçons repressivas nom evitam o desenvolvimento deste tipo de economia paralela, antes polo contrário prestam a protecçom necessária que requerem certos narcos para agirem. Fontes consultadas polo Novas da Galiza asseguram que qualquer organizaçom de envergadura dedicada ao tráfico de drogas precisa de cooperaçom policial para subsistir mais de um ano.

Até Audiência Nacional demaos dadas com Enrique León

O que ia ser presidente da Cámara de Vila Garcia e tivo que renunciar ao cargo por 'inelegível', Enrique León Calviño, foi o primeiro valedor de Julio Fariñas na época em que atingiu o posto de comissário da Polícia Nacional nesta localidade, após concluir os estudos de direito pola UNED em meados da década de 80. Apresentou-lhe diferentes mandos policiais identificando-o como jornalista em que podiam confiar para a cobertura informativa das suas intervençons. O ex-comissário e ex-conselheiro 'popular' Jesús Palmou, que coincidira com León nas academias policiais, foi outro dos notáveis aos quais o jornalista acedeu graças à sua mediaçom. E também facilitou o seu contacto com relevantes membros da judicatura, como o hoje fiscalchefe da Audiência Nacional, Javier Zaragoza Aguado, com o qual ainda mantém certa relaçom, conhecendo-o desde a Operaçom Nécora.

Responsáveis polo Serviço de Vigiláncia Aduaneira (SVA) também servírom à sua ascensom entre os tribunais pola confiança que nele tivérom para lhe apresentar, por exemplo, a defunta fiscal do tribunal de excepçom Carmen Tagle. A sua relaçom com o SVA operativo na Galiza mantém-se pola sua relaçom com Hermelino Alonso Eiras, o seu responsável, cujas actuaçons fôrom postas em questom na própria Audiência Nacional. A defesa deste dirigente de Aduanas contrasta com informaçons procedentes da luita contra o narcotráfico, que asseguram que o jornalista era conhecedor em 2001 de diferentes actividades ilícitas em que participou e que fôrom em boa medida desvendadas por esta publicaçom.

O altifalante judicial da Operaçom Castinheira

Enquanto os e as processadas na seqüência da Operaçom Castinheira desconheciam a situaçom do seu caso judicial, era La Voz de Galicia a tornar pública a informaçom, indicando o juiz ou juíza que levaria o procedimento e diferentes pormenores aos quais nem os seus advogados tiveram acesso. Os contactos de Julio Fariñas na Audiência Nacional e em diferentes estamentos da Guarda Civil forneciam-lhe a informaçom necessária. De facto, a fotografia de Antom Garcia Matos que publicava este diário fora tirada por um agente do corpo armado durante o registo da sua vivenda. O tratamento que La Voz fijo das operaçons repressivas e do fenómeno da violência procurava gerar preocupaçom social com destaques como "Um assunto que por agora só preocupa os meios policiais" [*] ou títulos categóricos como "Independentistas radicais galegos preparam o retorno à violência".

O seu papel como polícia da pena já tinha destacado na época em que o EGPGC desenvolvera a sua actividade armada, quando Álvarez Farinhas fora assinalado por diferentes independentistas polo seu tratamento informativo criminalizador e mesmo burlesco, assinalam fontes que viveram de perto os acontecimentos desta etapa, em que as apariçons mediáticas do independentismo costumavam ter um carácter informativo bem distante da unanimidade criminalizadora que define a repercussom do movimento independentista na imprensa do momento. Julio Fariñas ou o aval mediático das estratégias repressivas do Estado na Galiza

Os porta-vozes das guerras propagandísticas

Conta com fontes provenientes das mais altas instáncias do Estado, que premiam a sua obediência proporcionando-lhe informaçons em exclusivo, sabedoras de contarem com um comunicador leal Qualquer estado que utilize mecanismos ilícitos para defender a sua hegemonia precisa de cobertura mediática para defender o seu papel e ocultar o que nom se deva saber. Os EUA aprendêrom bem isso no Vietname, onde a maior derrota nom foi só a militar, mas a da opiniom pública da própria casa, que forçou a retirada horrorizada polos crimes que conhecia graças aos jornalistas independentes que ali jogavam a vida. Mas tomárom conta da liçom e desde entom restringem o acesso informativo nas guerras, dando pé à criaçom de 'pools' de imprensa, gabinetes selectos de jornalistas identificados em profundidade para cobrir operaçons delicadas ou propagar notícias interessadas. A difusom da informaçom secreta procedente dos altos tribunais e das esquadras policiais distribui-se também desta maneira, escolhendo ao pormenor com que jornalistas se conta. A estes jornalistas exige-se "umha entrega total", impedindo-se-lhes "questionar o mais mínimo a estratégia e os meios", afirmam jornalistas consultados com experiência na investigaçom do narcotráfico. Desta maneira, a procura da independência jornalística enfrenta numerosos valados que dificultam a sua existência, especialmente nas temáticas assinaladas e no acesso a informaçom que a sociedade procura conhecer. E assim, Julio Fariñas nom só tratou de drogas e independentistas; encarregou-se de tranquilizar os ánimos da indignaçom perante os incêndios e as suas máfias assegurando que o Verao passado só tinha acontecido "o mesmo de sempre e um pouco mais", vinculando os numerosos indícios de organizaçom incendiária à "psicose reinante" e à "fantasia popular", sempre conforme as suas privilegiadas fontes policiais. Também foi enviado especial ao longo dos últimos anos em Cuba, Miami e Venezuela, de onde se encarregava de reproduzir a propaganda estado-unidense mercê às suas conexons, por exemplo, com o golpista Juán Fernández, o que fora director da empresa petroleira estatal e que hoje descansa na localidade galega de Carral de onde é originário. Os diferentes poderes precisam e promovem este tipo de jornalistas que, por sua vez, precisam do poder para manter as suas exclusivas teledirigidas, aquelas que exibirám como revelaçons de investigaçons meritórias, enquanto o seu trabalho costuma reduzir-se a exercer de simples correias de transmissom, imprescindíveis para manterem a posiçom e o prestígio dos que neles mandam.

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